
"Um dos elementos básicos na mediação opressores-oprimidos é a prescrição. Toda prescrição é a imposição da oposição de uma consciência a outra. Daí o sentido alienador das prescrições que transformam a consciência "hospedeira" da consciência opressora. Por isto, o comportamento dos oprimidos é um comportamento prescrito. Faz-se à base de pautas estranhas a eles – as pautas dos opressores".
"A pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e libertadora, terá dois momentos distintos. O primeiro que os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão e vão comprometendo-se na práxis, com a sua transformação; o segundo, em que, transformada a realidade opressora, esta pedagogia deixa de ser do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens em processo de permanente libertação" (pg. 57).

"Talvez seja este o sentido mais exato da alfabetização: aprender a escrever a sua vida como autor e como testemunha de sua história, isto é, biografar-se, existenciar-se, historicizar-se".

Pág 18: Para o homem, produzir-se é conquistar-se, conquistar sua forma humana.
Pag 12: Hegelianamente, diríamos: a verdade do opressor reside na consciência do oprimido.
Pág 16: Nessa etapa, são descodificadas pelo grupo várias unidades básicas, codificação simples e sugestivas, que, dialogicamente descodificadas, vão redescobrindo o homem como sujeito de todo o processo histórico da cultura e, obviamente, também da cultura letrada. O que o homem fala e escreve e como fala e escreve, tudo é expressão objetiva de seu espírito. Por isto, pode o espírito refazer o feito, nesse redescobrindo o processo que o faz e refaz.
Pág 20: Ao distanciar-se do mundo, constituindo-se na objetividade, surpreende-se, ela, em sua subjetividade, Nessa linha do entendimento, reflexão e mundo, subjetividade e objetividade não se separam, opõem-se, implicando-se dialeticamente... Paulo Freire não inventou o homem; apenas pensa e pratica um método pedagógico que procura dar ao homem a oportunidade de redescobrir-se através da retomada reflexiva do próprio processo em que vai ele se descobrindo, manifestando e configurando – "método de conscientização".
Pág 23: Em outros termos: objetivar o mundo é historicizá-lo, humanizá-lo. Então, o mundo da consciência não é criação, mas sim, elaboração humana. Esse mundo não se constitui na contemplação, mas no trabalho.
Pág 71: Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho. Os homens se libertam em comunhão.
Pág 78: Ao alcançarem, na reflexão e na ação em comum, este saber da realidade, se descobrem como seus refazedores permanentes. Deste modo, a presença dos oprimidos na busca de sua libertação, mais que pseudoparticipação, é que de ver: engajamento.